Inspiração divina e
autoridade da Bíblia! O que significa?

Inspiração-divina-e-autoridade-da-Bíblia.-O-que-significa. Inspiração divina e autoridade da Bíblia

O que iremos ver neste artigo

  • Teorias  da Inspiração divina e autoridade da Bíblia
  • Ortodoxia
  • Modernismo
  • Neo-Ortodoxia
  • O ensino Bíblico a respeito da Inspiração divina e autoridade da Bíblia
  • A inspiração divina e autoridade da Bíblia é verbal
  • A Inspiração divina e autoridade da Bíblia é plena
  • A Inspiração divina e autoridade da Bíblia atribui autoridade
  • Toda Escritura é divinamente inspirada
  • Autores da Bíblia
  • Inspiração divina e autoridade da Bíblia pressupõe inerrância

Teorias da Inspiração divina e autoridade da Bíblia

O primeiro grande elo da cadeia comunicativa “de Deus para nós” chama-se inspiração. Há diversas teorias a respeito da Inspiração divina e autoridade da Bíblia. Algumas delas não se harmonizam com o ensino bíblico sobre o assunto. Nosso propósito, tem dois aspectos:

1º.. Examinar as teorias a respeito da inspiração;

2º.. Apurar com a máxima precisão o que está implícito no ensino da Bíblia a respeito de sua própria inspiração.

 As várias teorias a respeito da Inspiração divina e autoridade da Bíblia ao longo da história

As teorias a respeito da inspiração da Bíblia têm variado segundo as características essenciais de três movimentos teológicos: a ortodoxia, o modernismo e a neo-ortodoxia.

Ainda que essas três perspectivas não se limitem a um único período, suas manifestações primordiais são características de três períodos sucessivos na história da igreja. Na maior parte dessa história, prevaleceu a visão ortodoxa, a Bíblia é a Palavra de Deus.

Com o surgimento do modernismo, muitas pessoas vieram a crer que a Bíblia meramente contém a Palavra de Deus. Mais recentemente, sob a influência do existencialismo contemporâneo, os teólogos neo-ortodoxos têm ensinado que a Bíblia se torna a Palavra de Deus quando a pessoa tem um encontro pessoal com Deus em suas páginas.

Ortodoxia

A Bíblia É a Palavra de Deus. Por cerca de 18 séculos de história da igreja, prevaleceu a opinião ortodoxa da Inspiração divina e autoridade da Bíblia.

Os pais da igreja, em geral, com raras manifestações menos importantes em contrário, ensinaram firmemente que a Bíblia é a Palavra de Deus escrita. Teólogos ortodoxos ao longo dos séculos vêm ensinando, todos de comum acordo, que a Bíblia foi inspirada verbalmente, e é o registro escrito por inspiração de Deus.

Modernismo

A Bíblia CONTÉM a Palavra de Deus. Ao surgir o idealismo alemão e a crítica da Bíblia, surgiu também uma nova visão evoluída da Inspiração divina e autoridade da Bíblia, a par do modernismo ou liberalismo teológico. Opondo-se à opinião ortodoxa tradicional de que a Bíblia é a Palavra de Deus, os modernistas ensinam que a Bíblia meramente contém a Palavra de Deus. Certas partes dela são divinas, expressam a verdade, mas outras são obviamente humanas e apresentam erros.

Tais autores acham que a Bíblia foi vítima de sua época, exatamente como acontece a quaisquer outros livros. Afirmam que ela teria incorporado muito das lendas, dos mitos e das falsas crenças relacionadas à ciência.

Sustentam então que, pelo fato desses elementos não terem sido inspirados por Deus, devem ser rejeitados pelos homens iluminados de hoje, tais erros seriam resquícios de uma mentalidade primitiva indigna de fazer parte do credo cristão. Daí resultaria um livro, a Bíblia, que expressa vários graus de Inspiração divina e autoridade da Bíblia, dependendo da profundidade da iluminação religiosa experimentada por qualquer dos autores.

 Na outra extremidade da visão modernista estão os estudiosos que negam totalmente a existência de algum elemento divinos na composição da Bíblia. Para eles a Bíblia não passa de um caderno de rascunho em que os judeus registravam suas lendas, histórias e poemas, sem nenhum valor histórico.

Neo-Ortodoxia

A Bíblia torna-se a Palavra de Deus. No início do século XX, a reviravolta nos acontecimentos mundiais e a influência do pai dinamarquês do existencialismo, Soren Kierkegaard, deram origem a uma nova reforma na teologia europeia.

Muitos estudiosos começaram a voltar-se de novo para as Escrituras, a fim de ouvir nelas a voz de Deus. Sem abrir mão de suas opiniões críticas a respeito da Bíblia, começaram a levar a Bíblia a sério, por ser a fonte da revelação de Deus aos homens. Criando um novo tipo de ortodoxia, afirmavam que Deus fala aos homens mediante a Bíblia.

As Escrituras tornam-se a Palavra de Deus num encontro pessoal entre Deus e o homem. À semelhança das outras teorias a respeito da Inspiração divina e autoridade da Bíblia, a neo-ortodoxia desenvolveu duas correntes.  Na extremidade mais importante estavam os adeptos de demitologizar, que negam todo e qualquer conteúdo religioso importante, factual ou histórico, nas páginas da Bíblia, e creem apenas na preocupação religiosa existencial sobre os mitos.

Na outra extremidade, os pensadores de tendência mais evangélica tentam preservar a maior parte dos dados factuais e históricos das Escrituras, mas sustentam que a Bíblia de modo algum é a revelação de Deus. Antes, Deus se revela na Bíblia nos encontros pessoais; não, porém, de maneira proposicional.

Também temos a visão demitizante. Rudolf Bultmann e Shubert Ogden são representantes característicos desta visão. Ambos diferem entre si, uma vez que Ogden não vê nenhum aspecto histórico que dê consistência aos mitos da Bíblia, embora Bultmann consiga enxergar isso. Ambos concordam em que a Bíblia foi escrita em linguagem mitológica, a da época de seus autores, época já passada e obsoleta.

Outra Corrente

A outra corrente da neo-ortodoxia, representada por Karl Barth e Emil Brunner, nutre uma visão mais ortodoxa das Escrituras. Barth reconhece que existem algumas imperfeições no registro escrito (até mesmo nos autógrafos que são os escritos originais), no entanto, afirma que a Bíblia é a fonte da revelação de Deus. Afirma ele que Deus nos fala mediante a Bíblia e que ela é o veículo de sua revelação.

O ensino Bíblico a respeito da Inspiração divina e autoridade da Bíblia

Muitas objeções têm sido levantadas contra as várias teorias da Inspiração divina e autoridade da Bíblia, as quais partem de diferentes concepções, tendo variados graus de legitimidade, dependentemente do ângulo de observação da pessoa que as formula.

Visto que o objetivo deste estudo é levar o leitor a compreender o caráter da Bíblia, o critério analítico que escolhemos visa a avaliar todas essas teorias, levando em consideração o que as Escrituras revelam a                                                  respeito de sua própria inspiração.

A própria Bíblia ensina a respeito de sua inspiração pois ela declara ser um livro dotado de autoridade divina, resultante de um processo pelo qual homens movidos pelo Espírito Santo escreveram textos inspirados (soprados) por Deus.

A inspiração divina e autoridade da Bíblia é verbal

Independentemente de outras afirmações que possam ser formuladas a respeito da Bíblia, fica bem claro que esse livro reivindica para si mesmo esta qualidade: a inspiração verbal. O texto clássico de 2Timóteo 3.16 declara que os textos são inspirados.

“Moisés escreveu todas as palavras do Senhor…” (Êx 24.4). O Senhor ordenou a Isaías que escrevesse num livro a mensagem eterna de Deus (Is 30.8). Davi confessou: “O Espírito do Senhor fala por mim, e a sua palavra está na minha boca” (2Sm 23.2). Era a palavra do Senhor que chegava aos profetas nos tempos do Antigo Testamento. Jeremias recebeu esta ordem: “… não te esqueças de nenhuma palavra” (Jr 26.2).

No Novo Testamento, Jesus e seus apóstolos ressaltaram a revelação registrada ao usar repetidamente a expressão “está escrito” (Mt 4.4,7; Lc 24.27,44). O apóstolo Paulo testemunhou: “… falamos, não com palavras de sabedoria humana, mas com as que o Espírito Santo ensina…” (1Co 2.13).

João nos adverte quanto a não “tirar quaisquer palavras do livro desta profecia” (Ap 22.19). As Escrituras, os escritos do Antigo Testamento são continuamente mencionados como Palavra de Deus. No sermão da montanha, Jesus declarou que não só as palavras, mas até mesmo os pequeninos sinais diacríticos de uma palavra hebraica vieram de Deus: “Em verdade vos digo que até que a terra e o céu passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido” (Mt 5.18).

Portanto, o que quer que se diga como teoria a respeito da Inspiração divina e autoridade da Bíblia, fica bem claro que a Bíblia reivindica para si mesma toda a autoridade verbal ou escrita. Diz a Bíblia que suas palavras vieram da parte de Deus.

A Inspiração divina e autoridade da Bíblia é plena

A Bíblia reivindica a inspiração divina de todas as suas partes, é inspiração plena, total, absoluta. “Toda Escritura é divinamente inspirada…” (2Tm 3.16). Nenhuma parte das Escrituras deixou de receber total autoridade doutrinária.

A Escritura toda, escreveu Paulo, “é divinamente inspirada e proveitosa para ensinar, para repreender, para corrigir, para instruir em justiça” (2Tm 3.16). E foi além, ao escrever: “… tudo o que outrora foi escrito, para o nosso ensino foi escrito” (Rm 15.4).

Jesus Cristo e todos os autores do Novo Testamento exemplificam amplamente sua crença firme na Inspiração divina e autoridade da Bíblia integral e completa do Antigo Testamento, citando trechos de todas as Escrituras que eram para eles de autoridade, até mesmo os que apresentam ensinos fortemente polêmicos.

A criação de Adão e de Eva, a destruição do mundo pelo dilúvio, o milagre de Jonas e o grande peixe e muitos outros acontecimentos são mencionados por Jesus deixando bem clara a autoridade deles.

A Inspiração divina e autoridade da Bíblia atribui autoridade

Fica claro o fato de que a Inspiração divina e autoridade da Bíblia concede autoridade indiscutível ao texto ou documento escrito. Disse Jesus: “… a Escritura não pode ser anulada…” (Jo 10.35).

Em numerosas ocasiões o Senhor recorreu à Palavra de Deus escrita, que ele considerava árbitro definitivo em questões de fé e de prática. O Senhor recorreu às Escrituras como a autoridade para ele purificar o templo (Mc 11.17), para pôr em cheque a tradição dos fariseus (Mt 15.3,4) e para resolver divergências doutrinárias (Mt 22.29).

Até mesmo Satanás foi repreendido por Cristo mediante a autoridade da Palavra escrita de Deus: “Está escrito […] Está escrito […] Está escrito…”. Jesus contra-atacou as tentações de Satanás com a Palavra de Deus escrita (Mt 4:4-10).

Algumas vezes, Jesus declarou o seguinte: “… era necessário que se cumprisse tudo o que de mim estava escrito na lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos” (Lc 24.44).

Todavia, é em outra declaração de Jesus que encontramos apoio ainda mais forte do Senhor à autoridade inquestionável das Escrituras: “É mais fácil passar o céu e a terra do que cair um til sequer da lei” (Lc 16.17). 

A inspiração diz respeito igualmente ao Antigo e ao Novo Testamento. A maioria das passagens citadas acima a respeito da natureza plena da inspiração refere-se diretamente ao Antigo Testamento.

Consideramos que nem Lucas, nem Paulo fizeram parte do grupo dos doze apóstolos. Visto que as cartas de Paulo e os escritos de Lucas (Lucas e Atos; At 1.1, Lc 1.1-4) foram classificados como Escritura Sagrada, por implicação direta com o resto do Novo Testamento, escrito pelos apóstolos, que também é considerado Escritura Sagrada.

Toda Escritura é divinamente inspirada

Em suma, se “toda Escritura é divinamente inspirada” e o Novo Testamento é considerado Escritura, decorre disso claramente que o Novo Testamento é encarado com a mesma autoridade do Antigo. Na verdade, é exatamente assim que os cristãos, desde o tempo dos apóstolos, têm considerado o Novo Testamento.

Eles o consideravam com a mesma autoridade do Antigo Testamento. Além disso, de acordo com 2º Pedro 1:20,21, todas as mensagens escritas de natureza profética foram dadas ou inspiradas por Deus. E, visto que o Novo Testamento reivindica a natureza de mensagem profética, segue-se que ele também reclama autoridade igual à dos escritos proféticos do Antigo Testamento.

João, por exemplo, refere-se ao livro do Apocalipse da seguinte forma: “palavras da profecia deste livro” (Ap 22.18). Paulo afirmou que a igreja estava edificada sobre o alicerce dos apóstolos e profetas do Novo Testamento (Ef 2.20; 3.5). Visto que o Novo Testamento, à semelhança do Antigo, é um texto dos profetas de Deus, ele possui por essa razão a mesma autoridade dos textos inspirados do Antigo Testamento.

A Inspiração divina e autoridade da Bíblia abarca uma variedade de fontes e de gêneros literários. O fato de a inspiração ser verbal, ou escrita, não exclui o uso de documentos literários e de gêneros literários diferentes entre si. As Escrituras Sagradas não foram ditadas palavra por palavra, no sentido comum que se atribui ao verbo ditar.

Na verdade, há certos trechos menores da Bíblia, como, por exemplo, os Dez Mandamentos, que Deus outorgou diretamente ao homem (v. Dt 4.10), mas em parte alguma está escrito ou fica implícito que a Bíblia é resultante de um ditado palavra por palavra.

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Autores da Bíblia

Os autores das Sagradas Escrituras eram escritores e compositores, não meros secretários. Há vários fatores que contribuíram para a formação das Escrituras Sagradas e dão forte apoio a essa afirmativa.

Em primeiro lugar, existe uma diferença marcante de vocabulário e de estilo de um escritor para outro. Comparem-se as poderosas expressões literárias de Isaías com os tons lamurientos de Jeremias.

Compare-se a construção literária de suma complexidade, encontrada em Hebreus, com o estilo simples de João. Distinguimos facilmente a linguagem técnica de Lucas, o médico amado, da linguagem de Tiago, formada de imagens pastorais.

Em segundo lugar, a Bíblia faz uso de documentos não-bíblicos, como o Livro de Jasar (Js 10.13; 2Sm 1.18), o livro de Enoque (Jd 14) e até o poeta Epimênedes (At 17.28). Somos informados de que muitos dos provérbios de Salomão haviam sido editados pelos homens de Ezequias (Pv 25.1). Lucas reconhece o uso de muitas fontes escritas sobre a vida de Jesus, na composição de seu próprio evangelho (Lc 1.1-4).

Em terceiro lugar, os autores bíblicos empregavam vasta variedade de gêneros literários; tal fato não caracteriza um ditado monótono em que as palavras são pronunciadas uma após a outra, segundo o mesmo padrão.

Grande parte das Escrituras é formada de poesia (Jó, Salmos, Provérbios). Os evangelhos contêm muitas parábolas. Jesus empregava a sátira (Mt 19.24), Paulo usava alegorias (Gl 4) e até hipérboles (Cl 1.23), ao passo que Tiago gostava de usar metáforas e símiles.

Por fim, a Bíblia usa a linguagem simples do senso comum, do dia a dia, que salienta a ocorrência de um acontecimento, não a linguagem de fundamento científico. Isso não significa que os autores usassem linguagem anticientífica ou negadora da ciência, e sim linguagem popular para descrever fenômenos científicos.

Inspiração divina e autoridade da Bíblia pressupõe inerrância

A Bíblia é inerrante, não contém erro. Tudo quanto Deus declara é verdade isenta de erro. Com efeito, as Escrituras afirmam ser a declaração (aliás, as próprias palavras) de Deus.

Nada do que a Bíblia ensina contém erro, visto que a inerrância é consequência lógica da Inspiração divina e autoridade da Bíblia. Deus não pode mentir (Hb 6.18); sua Palavra é a verdade (Jo 17.17). Por isso, seja qual for o assunto sobre o qual a Bíblia diga alguma coisa, ela só dirá a verdade.

Não existem erros históricos nem científicos nos ensinos das Escrituras. Tudo quanto a Bíblia ensina vem de Deus e, por isso, não tem a mácula do erro. Não é possível refugar às implicações da inerrância factual com a declaração de que a Bíblia nada tem para dizer a respeito de assuntos factuais ou históricos.

Grande parte da Bíblia apresenta-se como história. Bastam as genealogias para atestar essa realidade. Alguns dos maiores ensinos da Bíblia, como a criação, o nascimento virginal de Cristo, a crucificação e a ressurreição corpórea, claramente pressupõem matérias factuais.

A Bíblia não é um compêndio de História, mas, sempre que a história secular se cruza com a história sagrada em suas páginas, a Bíblia faz referência a ela sem cometer erro. Se a Bíblia não fosse inerrante e não estivesse certa nas questões factuais, empíricas, comprováveis, de que maneira seria possível confiar nela em questões espirituais, não sujeitas a testes?

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PASTOR E PROFESSOR VALMIR​ OLIVEIRA

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